Consumo de Café no Brasil: Hábitos, Preferências e Mudanças em 2026
Conheça os hábitos de consumo de café no Brasil, preferências por tipos de café, horários, métodos de preparo
O Brasil não é apenas o maior produtor mundial de café – somos também um dos maiores consumidores. Entre novembro de 2022 e outubro de 2023, o país consumiu impressionantes 21,67 milhões de sacas de 60 kg, com crescimento contínuo ano após ano. Mas como, quando e por que os brasileiros tomam café? Este artigo mergulha nos hábitos de consumo da bebida mais democrática do país.
O Café no Cotidiano do Brasileiro
Café no Brasil transcende a simples função de bebida estimulante – é ritual, tradição e elemento de conexão social. Pesquisas da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) revelam a importância da bebida na rotina nacional:
Frequência de consumo:
– 44% dos brasileiros tomam café de 3 a 5 vezes ao dia
– 29% consomem 6 ou mais xícaras diariamente
– 20% tomam 1 a 2 xícaras por dia
– Apenas 7% não consomem café regularmente
Horários preferenciais:
– 97% tomam café logo ao acordar (café da manhã)
– 78% consomem após o almoço
– 52% tomam café no meio da tarde
– 31% apreciam café após o jantar
– 18% tomam café antes de dormir (descafeinado ou hábito regional)
Estes números confirmam o café como presença constante na vida do brasileiro, marcando momentos-chave ao longo do dia.
Tipos de Café Preferidos Pelos Brasileiros
O mercado brasileiro oferece diversidade crescente de cafés, e as preferências dos consumidores revelam transformação importante:
Participação por Categoria
Café gourmet: 35% – Categoria com maior crescimento, valorizada por qualidade superior e sabor mais refinado
Café tradicional: 25% – Ainda presente, mas perdendo espaço gradualmente para categorias premium
Café especial: 21% – Segmento de alto valor, com crescimento de 15% ao ano
Café superior: 11% – Posicionamento intermediário entre tradicional e gourmet
Café extraforte: 8% – Nicho específico para quem busca maior intensidade de cafeína
A migração do tradicional para gourmet e especial demonstra consumidor mais educado, exigente e disposto a pagar por qualidade.
Café Torrado e Moído vs Solúvel
A preferência brasileira é clara:
– 95,1% escolhem café torrado e moído
– 4,9% optam por café solúvel
Esta proporção reflete valorização do ritual de preparo e percepção de qualidade superior do café fresco. O café solúvel mantém espaço principalmente em ambientes corporativos onde praticidade é prioritária.
Métodos de Preparo Mais Populares
A forma de preparar o café influencia sabor, aroma e experiência. Pesquisas identificam preferências claras:
Coado Tradicional (80%)
Método mais tradicional e democrático, usando filtro de papel ou pano sobre porta-filtro ou diretamente na xícara. Resulta em café limpo, evidenciando características naturais do grão.
Vantagens: Baixo custo, simplicidade, sabor limpo
Desvantagens: Requer atenção no preparo, resultado pode variar
Cápsulas (60%)
Crescimento explosivo nos últimos anos, especialmente entre público urbano de renda média-alta. Sistemas como Nespresso, Dolce Gusto e marcas compatíveis dominam.
Vantagens: Praticidade absoluta, consistência, variedade
Desvantagens: Custo por xícara elevado, geração de resíduos (embora marcas invistam em programas de reciclagem)
Mercado de cápsulas deve crescer mais de 100% até 2028, segundo projeções da ABIC.
Espresso (50%)
Máquinas espresso domésticas tornaram-se mais acessíveis, permitindo café de cafeteria em casa. Público aprecia intensidade, cremosidade e versatilidade (base para cappuccino, latte, etc.).
Vantagens: Qualidade profissional, versatilidade, rapidez
Desvantagens: Investimento inicial elevado, requer manutenção
Métodos Especiais (30%)
Crescimento entre entusiastas e millennials:
– V60 (Hario): Método japonês que permite controle preciso da extração
– Aeropress: Versatilidade e portabilidade, preparo em 1-2 minutos
– Chemex: Design icônico, café limpo e aromático
– French Press: Corpo encorpado, óleos naturais preservados
– Moka (Italiana): Tradicional na Europa, ganha espaço no Brasil
Cold Brew (15%)
Método ainda em expansão, mas com crescimento acelerado especialmente entre jovens de 18 a 35 anos nos meses quentes.
Locais de Consumo
Onde os brasileiros tomam café mudou significativamente nos últimos anos:
Em Casa (90%)
Disparado o local preferido, especialmente fortalecido pela pandemia e consolidação do home office. Investimentos em equipamentos, grãos de qualidade e rituais de preparo transformaram o café caseiro.
No Trabalho (70%)
Empresas investem em máquinas de qualidade e cafés premium como benefício e forma de aumentar produtividade e satisfação. Algumas oferecem barista in-company.
Em Cafeterias (40%)
Visitas a cafeterias não são apenas para consumo – são experiências sociais, ambientes de trabalho alternativos e oportunidades de descobrir novidades.
Delivery (25%)
Crescimento expressivo de aplicativos especializados em entrega de café especial, tanto em grãos quanto bebidas prontas geladas ou quentes.
Perfil Demográfico do Consumidor
Idade
Contrariando percepção de que café é bebida de adultos mais velhos, dados mostram:
16 a 25 anos: Faixa etária com maior crescimento de consumo, especialmente de cafés especiais e bebidas geladas
26 a 40 anos: Maior volume absoluto de consumo, disposição para pagar por qualidade
41 a 60 anos: Consumidores fiéis, apreciam tradição mas exploram novidades
Acima de 60 anos: Preferência por cafés tradicionais, consumo estável
Renda
Classe A/B (renda acima de R$ 8.000):
– 83,3% consomem cafés premium
– Disposição para investir em equipamentos
– Frequentam cafeterias especializadas regularmente
Classe C (renda R$ 3.000 a R$ 8.000):
– Migração para categorias superiores quando possível
– Consumo principalmente em casa
– Priorizam relação custo-benefício
Classe D/E (renda até R$ 3.000):
– Consumo predominante de café tradicional
– Sensibilidade a preço determina escolhas
– Café ainda é prioridade no orçamento familiar
Gênero
Consumo equilibrado entre homens (52%) e mulheres (48%), mas preferências diferem:
Homens: Preferem cafés mais intensos, expresso, consumo sem açúcar
Mulheres: Apreciam variedade, bebidas com leite, experiências em cafeterias
Região
Hábitos variam geograficamente:
Sul e Sudeste: Maior consumo per capita, preferência por cafés especiais
Nordeste: Tradição forte, crescimento de cafeterias especializadas em capitais
Norte: Menor consumo per capita, oportunidade de crescimento
Centro-Oeste: Crescimento acelerado acompanhando desenvolvimento regional
Fatores que Influenciam Escolha do Café
Quando perguntados sobre critérios de decisão, consumidores priorizam:
Qualidade (73%)
Consumidores associam cafés especiais e gourmet a qualidade superior. Disposição para pagar mais por grãos selecionados, origem controlada e torra fresca.
Sabor e Aroma (68%)
Busca por perfis sensoriais específicos: notas de chocolate, caramelo, frutas, nozes. Educação do paladar crescente através de degustações e cursos.
Preço (65%)
Ainda determinante, especialmente em classes C, D e E. Equilíbrio entre qualidade percebida e custo é fundamental.
Origem e Rastreabilidade (44%)
Crescente valorização de saber de onde vem o café, quem produziu, em quais condições. Transparência constrói confiança.
Sustentabilidade (38%)
Especialmente entre consumidores jovens, práticas sustentáveis, certificações e impacto social influenciam escolha.
Marca (35%)
Marcas consolidadas oferecem segurança, mas há espaço para marcas artesanais que comunicam história e valores.
Praticidade (32%)
Cápsulas, sachês e ready-to-drink atendem necessidade de rapidez sem sacrificar totalmente qualidade.
Hábitos em Transformação
Algumas mudanças marcam o consumo de café em 2026:
Redução do Açúcar
Crescente número de consumidores aprecia café sem açúcar, valorizando notas naturais do grão. Educação sensorial e qualidade superior facilitam esta transição.
Leites Vegetais
Explosão de pedidos com leite de aveia, amêndoas, coco, castanhas e macadâmia. Motivações incluem intolerância à lactose, veganismo, curiosidade e busca por sabores diferentes.
Café Como Experiência
Consumo deixa de ser puramente funcional (energia) para tornar-se momento de prazer, pausa consciente, ritual de autocuidado.
Conhecimento Crescente
Consumidores sabem diferenciar arábica de robusta, reconhecem origens, entendem impacto da torra. Nível de educação sobre café nunca foi tão alto.
Valorização da Origem Brasileira
Orgulho crescente de consumir café nacional de qualidade. Regiões produtoras brasileiras ganham reconhecimento similar a terroirs de vinho.
Barreiras ao Consumo de Cafés Premium
Apesar do crescimento, obstáculos limitam expansão:
Preço (33%)
Principal barreira mencionada. Café especial pode custar 2x a 5x mais que tradicional, dificultando acesso.
Disponibilidade (20%)
Dificuldade de encontrar cafés específicos, especialmente fora de grandes centros urbanos. E-commerce ajuda mas não resolve completamente.
Qualidade Inconsistente (20%)
Experiências negativas afastam consumidores. Padronização e certificações rigorosas são necessárias.
Falta de Conhecimento (15%)
Muitos consumidores não sabem diferenciar tipos de café ou preparar adequadamente, resultando em desperdício de produto premium.
Resistência Cultural (12%)
Gerações mais velhas podem resistir a mudanças no café tradicional que conhecem há décadas.
Oportunidades Para o Setor
O cenário de consumo apresenta oportunidades claras:
Educação do consumidor: Workshops, degustações, conteúdo digital ensinando sobre café
Produtos entry-level: Cafés especiais com preços mais acessíveis para ampliar base de consumidores
Distribuição ampliada: Levar cafés de qualidade para cidades menores através de parcerias com redes locais
Experiências personalizadas: Assinaturas, kits de presente, produtos sazonais limitados
Conveniência premium: Cápsulas e ready-to-drink de cafés especiais para consumo em movimento
Cafeterias de nicho: Especializadas em perfis específicos, métodos ou públicos
Projeções Para os Próximos Anos
Tendências apontam para:
Crescimento contínuo: Consumo deve aumentar 3-5% ao ano no total, com cafés premium crescendo 10-15% ao ano
Premiumização: Migração gradual de tradicional para gourmet e especial deve continuar
Diversificação: Maior variedade de origens, perfis e formatos disponíveis
Sustentabilidade: Práticas ambientais e sociais tornam-se requisitos, não diferenciais
Tecnologia: Apps, assinaturas e personalização digital expandem alcance
Experiencialização: Cafeterias investem cada vez mais em ambientes e eventos memoráveis
Conclusão
O consumo de café no Brasil em 2026 reflete sociedade mais educada, exigente e consciente. O brasileiro não apenas toma mais café – toma café melhor, com mais conhecimento e critério.
Das 21,67 milhões de sacas consumidas anualmente, crescente proporção vai para cafés de qualidade superior, sustentáveis e rastreados. Esta transformação beneficia toda a cadeia: produtores recebem melhor remuneração, empresas crescem com margens saudáveis, consumidores desfrutam experiências superiores.
O futuro do consumo de café no Brasil é promissor e delicioso. Cada xícara representa não apenas momento de prazer, mas conexão com tradições, territórios e pessoas que dedicam suas vidas a produzir a bebida que define nossa cultura.
